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Archive for abril \12\UTC 2013

informações da Prefeitura de Porto Mauá
 

Na manhã do dia 11 de abril de 2013, às 10 horas, iniciou em Porto Mauá, junto ao pavilhão da Festa dos Navegantes, às margens do rio Uruguai, seminário sobre barragens, para informar a população sobre o plano de construção das barragens Garabi e Panambi. O evento foi promovido pelo MAB – Movimento de Atingidos por Barragens, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e a Diocese de Santo Ângelo, com apoio da Prefeitura Municipal de Porto Mauá.

Mais de mil pessoas estiveram presentes pela manhã, representando municípios como: Alecrim, Crissiumal, Dr. Maurício Cardoso, Garruchos, Itapiranga e Mondaí / SC, Novo Machado, Pirapó, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Porto Xavier, Santa Rosa, Santo Ângelo, São Miguel das Missões, São Nicolau, Vitória das Missões, entre outros.

Estiveram palestrando Gilberto Cervinski, do MAB de São Paulo e o prof. Domingos de Carvalho Villela Júnior, da Fundação Educacional Machado de Assis (FEMA).

Segundo Gilberto, é uma ilusão a geração de empregos que as barragens proporcionarão, pois são empregos temporários, apenas durante a construção, ou seja, em torno de quatro anos, questionou quantos empregos permanentes deixarão de existir após a conclusão das barragens. Que as leis são para proteger os ricos e não para os trabalhadores. Que os valores dos royaties não suprirão a quantia de dinheiro que as áreas alagadas deixarão de produzir, que os municípios receberão apenas em torno de R$ 50.000,00 mensal para compensar as perdas. Que há perseguição aos pescadores, com apreensão de materiais de pesca para que estes desistam desta atividade para não haver a necessidade de indenizações. Que as empresas intimidam os proprietários, dizendo que se não aceitarem a proposta deles que os proprietários devam entrar na justiça para requerer os seus direitos e que a empresa irá efetuar o depósito judicial do valor propositado.

Segundo Domingos, o que menos valem são as pessoas para estes mega investimentos. Que os proprietários deverão sacrificar a produção de sua propriedade em prol do progresso. Questionou por que não existe fomento à produção de energia alternativa. Que nunca deverá aceitar uma negociação individual.

Posteriormente, foram realizados manifestações do público, onde uma pessoa questionou onde estaria o IBAMA nestas horas para proteger a natureza, que as pessoas muitas vezes não conseguem derrubar uma só árvore e nestes empreendimentos são destruídos milhões delas.

À tarde, houve continuidade do seminário, com Informações da Eletrobrás sobre o Plano de Construção das barragens Garabi e Panambi, sendo das 13h30min às 14 horas: formação de mesa com autoridades e representantes de entidades / movimentos sociais do Brasil e Argentina, das 14 às 16 horas: informações de debate sobre o Complexo Binacional Garabi / Panambi, com Gilberto Cervinski – Coordenador Nacional do MAB, Arlete Nunes e Daniela Soares da Eletrobrás, Raul Aramendy – professor da Universidade de Posadas / Argentina, representante da Secretaria Geral da Presidência e representante do Grupo de Trabalho Garabi / Panambi – Governo do Estado do RS, das 16 às 17 horas tribuna livre, e às 17 horas o encerramento.

Pelo período da tarde, mais de 1500 pessoas se fizeram presentes, dentre estes, os prefeitos de Dr. Maurício Cardoso, Novo Machado, Porto Vera Cruz, Porto Mauá e Mondaí – SC. Os deputados federais Elvino Boh Gáss e Dionísio Marcon, e o deputado estadual Jeferson Fernandes.

Raul Aramendy é contrário às obras, pela legislação da Argentina há necessidade da realização de um plebiscito, não se deve tocar no rio Uruguai, informou ainda que um cientista brasileiro declarou que as barragens colaboram com o aquecimento global da terra.

Dionisio Marcon no seu pronunciamento manifestou-se contrário a obras de barragens, como conviveu com a situação de atingido por barragem sabe dos reais problemas que uma obra desta causa à população.

Jeferson Fernandes no seu discurso questionou como fazer política para manter o homem no campo se as barragens expulsam as pessoas do meio rural para as cidades.

Bom Gáss acha que temos diversas alternativas de produzir energia sem destruir a natureza, que o povo precisa saber as informações sobre os empreendimentos e que a sociedade deveria ser ouvida através de plebiscito para saber a opinião do povo.

Lenoir da Rocha, prefeito de Mondaí – SC, manifestou contrariedade às obras, relatou as experiências presenciadas em locais onde houve construções de barragens, por isso se deslocou de Santa Catarina para alertar a população sobre os problemas ambientais e sócias causados pelas barragens, que não existe progresso / desenvolvimento nos municípios pós-barragens.

O prefeito de Porto Mauá, Guerino Pedro Pisoni, destacou a importância da união da população em torno a esta questão e da necessidade de buscar informações consistentes que contribuem para o conhecimento e a formação de opinião que produzem um debate de qualidade, pois todos são responsáveis.

Um representante indígena de São Miguel das Missões resaltou que os índios também sofrem com estas obras, com as ações dos governos, que nunca são consultados para nada e nem são indenizados, que eles também querem participar, que estão juntos na luta contra as barragens e que são contrários a destruição da natureza.

Após os discursos, houve espaço para o debate, onde a população presente teve oportunidade de esclarecer dúvidas relacionadas a construção das barragens, dúvidas estas esclarecidas pela representante Arlete da Eletrobrás. Não soube informar se há indenização para os pescadores e não respondeu se o IBAMA já impediu alguma obra de barragem.

Para finalizar, o MAB propôs um desafio, de realizar plebiscito popular para ver se o povo quer ou não a execução destas obras, solicitou também a participação da população regional no Encontro Nacional do MAB, que acontece nos dias 3 a 7 de junho de 2013, em São Paulo.

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